sábado, 23 de julho de 2011

pornografia, psicanálise e cultura

DEFINIÇÕES DE PORNOGRAFIA

Uma das definições de pornografia é: a representação, por quaisquer meios, de cenas ou objetos obscenos destinados a serem apresentados a um público e também expor práticas sexuais diversas, com o fim de instigar a libido do observador. O termo deriva do grego πόρνη (pórne),"prostituta” e γραφή (grafé), representação. (DHnet, 2009)
A palavra pornografia deriva, ainda no grego, de pornographos, que quer dizer literalmente “escritos sobre prostitutas”. Em sua definição primeira, pornografia remetia a descrições sobre a vida, hábitos e costumes das prostitutas e de seus clientes.
 Algumas definições discorrem sobre o tema como possuindo um caráter comercial, outros a definem como representações obscenas na arte.
Sejam os resultados léxicos isentos ou repletos de cunho moral, certo é que pornografia sempre está ligada à sexualidade, pretendendo causar excitação sexual ou referir-se a esta provocação erótica outras tantas vezes entendida como obscenidade.
Consideremos, então, as palavras erótico e obsceno, a fim de buscar compreender pornografia, já que são expressões ligadas a esta, ou que tentam definir uma a outra e são tomadas muitas vezes como sinônimas.
            A primeira tem origem na mitologia. Eros aparece pela primeira vez na Teogonia de Hesíodo, que o descreve como o mais belo dos imortais, capaz de subjugar corações e triunfar sobre o bom senso.
            Deus grego do amor e do desejo, Eros encerrava, na mitologia primitiva, significado mais amplo e profundo. Ao fazê-lo filho do Caos, vazio original do universo, a tradição mais antiga apresentava-o como força ordenadora e unificadora. Assim ele aparece na versão de Hesíodo e em Empédocles, pensador pré-socrático. Seu poder unia os elementos para fazê-los passar do caos ao cosmos, ou seja, ao mundo organizado. Em tradições posteriores era filho de Afrodite e de Zeus, Hermes ou Ares, segundo as diferentes versões. Platão descreveu-o como filho de Poro (Expediente) e Pínia (Pobreza), daí que a essência do amor fosse "sentir falta de", busca constante, em perpétua insatisfação.
            Artistas de várias épocas representaram com freqüência o episódio da relação de Eros com Psiqué, que simboliza a alma e constitui uma metáfora sobre a espiritualidade humana.
            Em Roma, Eros passou a ser identificado como o Cupido.
            Inicialmente representavam-no como um belo jovem, às vezes alado, que feria os corações dos humanos com setas. Aos poucos, os artistas foram reduzindo sua idade até que, no período helenístico, a imagem de Eros é a representação de um menino, modelo que foi mantido no Renascimento.
            Alain Robbe Grillet, escritor francês, sugeriu um significado, talvez mais crítico do que esclarecedor, asseverando o entendimento de que pornografia só é pornografia quando se trata do outro, quando se refere ao despudor alheio: “Pornografia é o erotismo dos outros”. (apud Moraes, Lapeiz, 1984, p.8)
            O obsceno é o que fere o pudor, “sentimento de vergonha, de mal-estar, gerado pelo que pode ferir a decência, a honestidade ou a modéstia. Este sentimento, ligado a atos ou coisas que se relacionam com o sexo; recato, vergonha, pudicícia.”, de acordo com o Aurélio. (ed. eletrônica, 2004)
            Etimologicamente, obsceno está ligado à acepção corrompida do vocábulo latim scena, literalmente “fora de cena”, ou seja, aquilo que não entra na cena da vida, ou pelo menos não deveria.
            Então, como escreveram Moraes e Lapeiz (1984, p.8), “proferir uma obscenidade é colocar em cena algo que deveria estar nos bastidores.” Aquilo que deveria estar escondido, longe da vista, que aflora e é formalmente expresso, explícito:

Talvez nessa ambigüidade possamos encontrar o sentido da pornografia, se entendida como o discurso por exce­lência veiculador do obsceno: daquilo que se mostra e deveria ser escondido. A exibição do indesejável: o sexo fora de lugar. Espaço do proibido, do não-dizível, do censu­rado: daquilo que não deve ser, mas é. A pornografia grita e cala, colocando lado a lado o escândalo e o silêncio. É nesse jogo de esconde-esconde que encontramos o seu sentido, mas é também por causa dele que se torna difícil definí-la. (p. 8,9)


continua em outra breve postagem .... 

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