sábado, 30 de julho de 2011

Escutatória - Rubem Alves


Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir. Pensei em oferecer um curso de escutatória. Mas acho que ninguém vai se matricular.
Escutar é complicado e sutil. Diz o Alberto Caeiro que “não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. É preciso também não ter filosofia nenhuma“. Filosofia é um monte de idéias, dentro da cabeça, sobre como são as coisas. Aí a gente que não é cego abre os olhos. Diante de nós, fora da cabeça, nos campos e matas, estão as árvores e as flores. Ver é colocar dentro da cabeça aquilo que existe fora. O cego não vê porque as janelas dele estão fechadas. O que está fora não consegue entrar. A gente não é cego. As árvores e as flores entram. Mas - coitadinhas delas - entram e caem num mar de idéias. São misturadas nas palavras da filosofia que mora em nós. Perdem a sua simplicidade de existir. Ficam outras coisas. Então, o que vemos não são as árvores e as flores. Para se ver e preciso que a cabeça esteja vazia.
Faz muito tempo, nunca me esqueci. Eu ia de ônibus. Atrás, duas mulheres conversavam. Uma delas contava para a amiga os seus sofrimentos. (Contou-me uma amiga, nordestina, que o jogo que as mulheres do Nordeste gostam de fazer quando conversam umas com as outras é comparar sofrimentos. Quanto maior o sofrimento, mais bonitas são a mulher e a sua vida. Conversar é a arte de produzir-se literariamente como mulher de sofrimentos. Acho que foi lá que a ópera foi inventada. A alma é uma literatura. É nisso que se baseia a psicanálise...) Voltando ao ônibus. Falavam de sofrimentos. Uma delas contava do marido hospitalizado, dos médicos, dos exames complicados, das injeções na veia - a enfermeira nunca acertava -, dos vômitos e das urinas. Era um relato comovente de dor. Até que o relato chegou ao fim, esperando, evidentemente, o aplauso, a admiração, uma palavra de acolhimento na alma da outra que, supostamente, ouvia. Mas o que a sofredora ouviu foi o seguinte: “Mas isso não é nada...“ A segunda iniciou, então, uma história de sofrimentos incomparavelmente mais terríveis e dignos de uma ópera que os sofrimentos da primeira.
Parafraseio o Alberto Caeiro: “Não é bastante ter ouvidos para se ouvir o que é dito. É preciso também que haja silêncio dentro da alma.“ Daí a dificuldade: a gente não agüenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor, sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer. Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração e precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor. No fundo somos todos iguais às duas mulheres do ônibus. Certo estava Lichtenberg - citado por Murilo Mendes: “Há quem não ouça até que lhe cortem as orelhas.“ Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil da nossa arrogância e vaidade: no fundo, somos os mais bonitos...
Tenho um velho amigo, Jovelino, que se mudou para os Estados Unidos, estimulado pela revolução de 64. Pastor protestante (não “evangélico“), foi trabalhar num programa educacional da Igreja Presbiteriana USA, voltado para minorias. Contou-me de sua experiência com os índios. As reuniões são estranhas. Reunidos os participantes, ninguém fala. Há um longo, longo silêncio. (Os pianistas, antes de iniciar o concerto, diante do piano, ficam assentados em silêncio, como se estivessem orando. Não rezando. Reza é falatório para não ouvir. Orando. Abrindo vazios de silêncio. Expulsando todas as idéias estranhas. Também para se tocar piano é preciso não ter filosofia nenhuma). Todos em silêncio, à espera do pensamento essencial. Aí, de repente, alguém fala. Curto. Todos ouvem. Terminada a fala, novo silêncio. Falar logo em seguida seria um grande desrespeito. Pois o outro falou os seus pensamentos, pensamentos que julgava essenciais. Sendo dele, os pensamentos não são meus. São-me estranhos. Comida que é preciso digerir. Digerir leva tempo. É preciso tempo para entender o que o outro falou. Se falo logo a seguir são duas as possibilidades. Primeira: “Fiquei em silêncio só por delicadeza. Na verdade, não ouvi o que você falou. Enquanto você falava eu pensava nas coisas que eu iria falar quando você terminasse sua (tola) fala. Falo como se você não tivesse falado.“ Segunda: “Ouvi o que você falou. Mas isso que você falou como novidade eu já pensei há muito tempo. É coisa velha para mim. Tanto que nem preciso pensar sobre o que você falou.“ Em ambos os casos estou chamando o outro de tolo. O que é pior que uma bofetada. O longo silêncio quer dizer: “Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou.“ E assim vai a reunião.
Há grupos religiosos cuja liturgia consiste de silêncio. Faz alguns anos passei uma semana num mosteiro na Suíça, Grand Champs. Eu e algumas outras pessoas ali estávamos para, juntos, escrever um livro. Era uma antiga fazenda. Velhas construções, não me esqueço da água no chafariz onde as pombas vinham beber. Havia uma disciplina de silêncio, não total, mas de uma fala mínima. O que me deu enorme prazer às refeições. Não tinha a obrigação de manter uma conversa com meus vizinhos de mesa. Podia comer pensando na comida. Também para comer é preciso não ter filosofia. Não ter obrigação de falar é uma felicidade. Mas logo fui informado de que parte da disciplina do mosteiro era participar da liturgia três vezes por dia: às 7 da manhã, ao meio-dia e às 6 da tarde. Estremeci de medo. Mas obedeci. O lugar sagrado era um velho celeiro, todo de madeira, teto muito alto. Escuro. Haviam aberto buracos na madeira, ali colocando vidros de várias cores. Era uma atmosfera de luz mortiça, iluminado por algumas velas sobre o altar, uma mesa simples com um ícone oriental de Cristo. Uns poucos bancos arranjados em “U“ definiam um amplo espaço vazio, no centro, onde quem quisesse podia se assentar numa almofada, sobre um tapete. Cheguei alguns minutos antes da hora marcada. Era um grande silêncio. Muito frio, nuvens escuras cobriam o céu e corriam, levadas por um vento impetuoso que descia dos Alpes. A força do vento era tanta que o velho celeiro torcia e rangia, como se fosse um navio de madeira num mar agitado. O vento batia nas macieiras nuas do pomar e o barulho era como o de ondas que se quebram. Estranhei. Os suíços são sempre pontuais. A liturgia não começava. E ninguém tomava providências. Todos continuavam do mesmo jeito, sem nada fazer. Ninguém que se levantasse para dizer: “Meus irmãos, vamos cantar o hino...“ Cinco minutos, dez, quinze. Só depois de vinte minutos é que eu, estúpido, percebi que tudo já se iniciara vinte minutos antes. As pessoas estavam lá para se alimentar de silêncio. E eu comecei a me alimentar de silêncio também. Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de pensamentos. E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia. Eu comecei a ouvir. Fernando Pessoa conhecia a experiência, e se referia a algo que se ouve nos interstícios das palavras, no lugar onde não há palavras. E música, melodia que não havia e que quando ouvida nos faz chorar. A música acontece no silêncio. É preciso que todos os ruídos cessem. No silêncio, abrem-se as portas de um mundo encantado que mora em nós - como no poema de Mallarmé, A catedral submersa, que Debussy musicou. A alma é uma catedral submersa. No fundo do mar - quem faz mergulho sabe - a boca fica fechada. Somos todos olhos e ouvidos. Me veio agora a idéia de que, talvez, essa seja a essência da experiência religiosa - quando ficamos mudos, sem fala. Aí, livres dos ruídos do falatório e dos saberes da filosofia, ouvimos a melodia que não havia, que de tão linda nos faz chorar. Para mim Deus é isto: a beleza que se ouve no silêncio. Daí a importância de saber ouvir os outros: a beleza mora lá também. Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto... (O amor que acende a lua, pág. 65.)

A Noite do Grande Orgasmo Brasileiro - Arnaldo Jabor

A noite de grande orgasmo brasileiro – Arnaldo Jabor
A noite de amor ia ser total. Os dois estavam preparados, popozudos, poderosos. Ele era lindo, sempre malhou como um operário e construíra panturrilhas sólidas, bumbum empinado, sorriso branco e cintilante, gestos decididos, olhar de águia, voz nítida de locutor de FM, cuequinha slip para valorizar o pintinho e impressionar no desnudamento.
Ele falava em Bolsa, globalização, música pop e era, em suma, uma bela colagem das caras e corpos das revistas, uma alegoria de charmes dentro da qual seu “eu” se escondia, soterrado sob a capa da “personalidade” para a mídia.
Ele funcionava com ritmo de videoclipe, sem pausas, com a precisão dos celulares digitais, dos notebooks para fazer dela a grande dama da noite, no mágico motel em que entravam, na suíte imperial, a suíte das piscininhas quentes, das cadeiras ginecológicas e dos consoladores de borracha, dos espelhos bisotês e das camas redondas com colcha de zebra.
Ela entrou no quarto como uma grande felina, uma linda onça dentro da minissaia de couro, ela, que tinha esculpido todo o corpo em muitas lipos, ela, que tinha renascido pelo silicone, ela, com as coxas de ouro, ela, com correntinha no tornozelo, calcinha fiodental planejada para enlouquecê-lo, ela, com desodorante vaginal, ela, com a bunda da Tiazinha e a displicência distante da Bündchen, ela, que sabia abrir as pernas como a Sharon Stone, ela, que cultivava pelinhos nas coxas que o marido rico (oh, pobre corno trabalhador na mesa de “over”) gostava de lamber, ela, perua chique, com sorrisos oblíquos, olhares febris, a boquinha de falso medo, ela também com o “eu” soterrado entre mil adornos, ela que estava finalmente preparada para o sucesso total, para a plenitude do sexo, o pináculo de um narcisismo pós-moderno, ela que estava diante de um mix de Bruce Willis com Paulo Zulu, o galã que deixava cair frases soltas como “de pagode eu gosto, mas prefiro a axé-music”, ela que respondia “depende, eu prefiro música italiana”, ele que cantou imediatamente “Dio, Come ti Amo”, ela que emendou num dueto enquanto ele lhe dava o primeiro beijo, conferindo no espelho a pose, ela que deu um suspiro de êxtase, preparando-se para a grande noite que começava ali, no Crazy Love, o motel que flutuava em volta deles, com seus espelhos que testemunhariam o vulcânico encontro dos dois titãs do sexo, o macho perfeito contemporâneo versus a fêmea reconstruída para a sedução, ambos ali, prontos para o encaixe profundo que os transformaria numa engrenagem uivante, nas duas roscas frenéticas do fabuloso encontro sexual do século 21.
Claro que alguns insetos, alguns fiapos de preocupações ainda rolavam em suas cabeças, mas eles estavam precavidos; ele, com seu Viagra tomado uma hora atrás, com seu Prozac do meio-dia, com o “pensamento positivo” que lera em Lair Ribeiro; ela, com seu Lexotan já engolido, com a lembrança do marido usada como afrodisíaco perverso, o marido trabalhando, e ela ali, pronta para dar.
Essas nuvens negras de depressão eram espantadas como moscas importunas, escorraçadas por beijos de língua mais intensos que o desejo real e suspiros de exagerado tesão que competiam em volúpia, pois aquilo não era propriamente um encontro, mas a luta por um Oscar de melhor interpretação.
Ele quase se deprimiu, quando, por exemplo, os peitos siliconados da mulher boiaram na piscininha quente, e ele pensou nos patinhos do lago de sua infância. Ela vacilou, vendo seu pintinho ainda um pouco triste, sem fulgor vítreo, ostentando leve meia-bomba, mas essas sombras foram logo dissipadas pela esperança do amor pagão.
Não dava nem para imaginar o orgasmo que atroaria o motel todo, matando de inveja os casais, inquietando garçons e faxineiras pobres, um orgasmo “reichiano”, completo, quase político, o grande urro da modernidade, do novo Brasil que, lá fora, se construía para um amanhã globalizado.
Eles eram os protagonistas do choque de luxúria que percorria o país, nas revistas, nos outdoors, nas saunas relax e nos bailes funk. Eles não estavam ali em busca da paixão, mas para perpetrar um grande gol, o recorde de todos os desejos, o coroamento de uma ideologia narcísea.
Os encaixes foram se fazendo entre as duas máquinas, os corpos cavernosos se encheram de sangue, os seios ficaram túrgidos, os lábios se lubrificaram, as mãos se torceram, mas, estranhamente, nada sentiam, por mais que exagerassem nos suspiros sensuais.
Todas as posições eram tentadas, com olhares de esguelha no espelho, a música techno continuava, os beijos se multiplicavam, mas nada sentiam, e um frio desespero tomou-os, o que o fez sorrateiramente engolir mais um Viagra e o que a fez redobrar gemidos, pensando na inveja das amigas, na própria bunda perfeita, no choro do marido corneado, até que um grande grito furou a música techno e não era o tal orgasmo brasileiro tão esperado.
Não. Não chegou a haver uma explosão de prazer, apenas um estalo e um berro de horror, o homem com uma forte pujança erétil, um imenso pênis inquebrantável apontando o céu, gritando com a boca invadida por uma onda amarga de silicone, tentando segurar o grande seio que vazava como um odre furado, sob os uivos da mulher que apertava a cicatriz desfeita, enquanto os dois “eus” deles corriam pelo chão do motel como dois ratinhos sem rumo, seus rostos em pânico no espelho, a música techno os expulsando, eles se vestindo correndo, fugindo para o pronto-socorro, onde foram logo atendidos, graças à sua boa aparência e ao BMW prateado, onde causaram grande curiosidade entre os enfermeiros, pois, como rezou o boletim de ocorrência, “os pacientes tiveram tratamento urgente, ela recebendo uma sutura no seio vazante, e ele com banhos frios para fazer regredir o membro recalcitrante que se recusava a baixar”, os dois virando um caso de eterna gargalhada para os plantonistas, a grande piada que lhes iluminou tantas noites tristes de trágicos atendimentos, naquele hospital de luzes mortiças e pobres madrugadas de atropelados e vítimas de balas perdidas.

sábado, 23 de julho de 2011

pornografia, psicanálise e cultura

DEFINIÇÕES DE PORNOGRAFIA

Uma das definições de pornografia é: a representação, por quaisquer meios, de cenas ou objetos obscenos destinados a serem apresentados a um público e também expor práticas sexuais diversas, com o fim de instigar a libido do observador. O termo deriva do grego πόρνη (pórne),"prostituta” e γραφή (grafé), representação. (DHnet, 2009)
A palavra pornografia deriva, ainda no grego, de pornographos, que quer dizer literalmente “escritos sobre prostitutas”. Em sua definição primeira, pornografia remetia a descrições sobre a vida, hábitos e costumes das prostitutas e de seus clientes.
 Algumas definições discorrem sobre o tema como possuindo um caráter comercial, outros a definem como representações obscenas na arte.
Sejam os resultados léxicos isentos ou repletos de cunho moral, certo é que pornografia sempre está ligada à sexualidade, pretendendo causar excitação sexual ou referir-se a esta provocação erótica outras tantas vezes entendida como obscenidade.
Consideremos, então, as palavras erótico e obsceno, a fim de buscar compreender pornografia, já que são expressões ligadas a esta, ou que tentam definir uma a outra e são tomadas muitas vezes como sinônimas.
            A primeira tem origem na mitologia. Eros aparece pela primeira vez na Teogonia de Hesíodo, que o descreve como o mais belo dos imortais, capaz de subjugar corações e triunfar sobre o bom senso.
            Deus grego do amor e do desejo, Eros encerrava, na mitologia primitiva, significado mais amplo e profundo. Ao fazê-lo filho do Caos, vazio original do universo, a tradição mais antiga apresentava-o como força ordenadora e unificadora. Assim ele aparece na versão de Hesíodo e em Empédocles, pensador pré-socrático. Seu poder unia os elementos para fazê-los passar do caos ao cosmos, ou seja, ao mundo organizado. Em tradições posteriores era filho de Afrodite e de Zeus, Hermes ou Ares, segundo as diferentes versões. Platão descreveu-o como filho de Poro (Expediente) e Pínia (Pobreza), daí que a essência do amor fosse "sentir falta de", busca constante, em perpétua insatisfação.
            Artistas de várias épocas representaram com freqüência o episódio da relação de Eros com Psiqué, que simboliza a alma e constitui uma metáfora sobre a espiritualidade humana.
            Em Roma, Eros passou a ser identificado como o Cupido.
            Inicialmente representavam-no como um belo jovem, às vezes alado, que feria os corações dos humanos com setas. Aos poucos, os artistas foram reduzindo sua idade até que, no período helenístico, a imagem de Eros é a representação de um menino, modelo que foi mantido no Renascimento.
            Alain Robbe Grillet, escritor francês, sugeriu um significado, talvez mais crítico do que esclarecedor, asseverando o entendimento de que pornografia só é pornografia quando se trata do outro, quando se refere ao despudor alheio: “Pornografia é o erotismo dos outros”. (apud Moraes, Lapeiz, 1984, p.8)
            O obsceno é o que fere o pudor, “sentimento de vergonha, de mal-estar, gerado pelo que pode ferir a decência, a honestidade ou a modéstia. Este sentimento, ligado a atos ou coisas que se relacionam com o sexo; recato, vergonha, pudicícia.”, de acordo com o Aurélio. (ed. eletrônica, 2004)
            Etimologicamente, obsceno está ligado à acepção corrompida do vocábulo latim scena, literalmente “fora de cena”, ou seja, aquilo que não entra na cena da vida, ou pelo menos não deveria.
            Então, como escreveram Moraes e Lapeiz (1984, p.8), “proferir uma obscenidade é colocar em cena algo que deveria estar nos bastidores.” Aquilo que deveria estar escondido, longe da vista, que aflora e é formalmente expresso, explícito:

Talvez nessa ambigüidade possamos encontrar o sentido da pornografia, se entendida como o discurso por exce­lência veiculador do obsceno: daquilo que se mostra e deveria ser escondido. A exibição do indesejável: o sexo fora de lugar. Espaço do proibido, do não-dizível, do censu­rado: daquilo que não deve ser, mas é. A pornografia grita e cala, colocando lado a lado o escândalo e o silêncio. É nesse jogo de esconde-esconde que encontramos o seu sentido, mas é também por causa dele que se torna difícil definí-la. (p. 8,9)


continua em outra breve postagem ....